domingo, 27 de abril de 2014
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o Problema.
BRENNAN, Vickie, PECK, Flo, LOLLI, Dennis. Sugestões para modificação do Ambiente em Casa e na Escola - Um manual para pais e professores de crianças com surdocegueira.
Tradução José Carlos Morais (2004). Revisão e Adaptação para o português do Brasil: Shirley Rodrigues Maia e Lília Giacomini.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Educação e a
Pessoa com Surdez
Scheila Maria Acioli Dias
Muitas propostas e
abordagens para a educação de pessoas com surdez tem surgido ao
longo dos tempo, existindo um embate entre gestualistas e oralistas.
A discussão entre estas
duas concepções acontecem em relação a políticas públicas,
pesquisas científicas e em ações pedagógicas destinadas aos
alunos com surdez. Porém, no
meio dessa discussão em relação a aceitação de uma língua ou
de outra,
as
pessoas com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo
desenvolvido, ficam em segundo plano nas vivencias das relações
sociais e relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria.
DAMÁZIO & FERREIRA (2010)
A inclusão procura
superar a visão fragmentada de homem, com deficiência ou não.
Propostas educacionais direcionadas para a pessoa com surdez têm
como objetivo proporcionar o desenvolvimento pleno de suas
capacidades; contudo, não é isso que se observa na prática, ainda
existindo muitos desafios e propostas que precisam de maior analise
para que a pratica estabeleça compreensão e o reconhecimento do
potencial, capacidades individuais e no processo de
ensino-aprendizagem de cada aluno.
Esse embate entre
gestualista se oralistas separam as pessoas, “ negligenciando
o potencial e a capacidade notórias e visíveis que elas possuem”
DAMÁZIO
& FERREIRA (2010), canalizando
a atenção para a língua, esquecendo a importância da qualidade e
eficiência de práticas pedagógicas e a necessidade de ambientes
educacionais estimuladores.
Existe a necessidade
de se pensar o sujeito com surdez como ser biopsicossocial, cognitivo
e cultural, com uma parte que limita, porém possibilita e
potencializa outros processos na forma de adquirir e produzir
conhecimento. Assim:
[…] os
processos perceptivos, lingüísticos e cognitivos das pessoas com
surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as sujeitos
capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com
potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos
visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus
entornos e, se desejar, também falar. Isso nos faz pensar num
sujeito com surdez não reduzido ao chamado mundo surdo, com a
identidade e a cultura surda, mas numa pessoa com potencial a ser
estimulado e desenvolvido nos aspectos cognitivos, culturais, sociais
e lingüísticos, pois a concepção de pessoa com surdez descentrada
se caracteriza pela diferença, que, sob a força de divisões e
antagonismos, leva a pessoa descentrada a ser deslocada e a assumir
diferentes posições e identidades. Hall apud
DAMÁZIO & FERREIRA (2010).
É
nesse sentido de descentramento identitário que concebemos a pessoa
com surdez como ser biopsicosocial, cognitivo e cultural, não
somente na constituição de sua subjetividade, mas também na forma
de aquisição e produção de conhecimentos. A
perspectiva da inclusão busca possibilidades sociais e educacionais
para a pessoa com surdez, fugindo da visão de subordinação de uma
língua em relação a outra e da visão de diferença cultural com
foco na língua em si, pois esta não é garantia de aprendizagem
significativa, assim busca uma visão que considera o aluno em suas
peculiaridade e potencialidades. DAMÁZIO
& FERREIRA (2010), coloca que:
O ambiente em que a
pessoa com surdez está inserida, em especial o da escola comum, uma
vez que não lhe oferece condições para que se estabeleçam
mediações simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou
provoca a capacidade representativa dessas pessoas, consequentemente,
compromete o desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da
produção de sentidos.
A pessoa com surdez
possui uma deficiência que provoca diferenças e limitações, que
devem ser reconhecidas e respeitadas, porém não podem servir de
justificativa para o fracasso escolar, Nessas pessoas, se lhes forem
criados ambientes propícios para desenvolverem o seu potencial, as
marcas do déficit, da falta, da falha e da deficiência serão
secundarizadas e será exaltado o seu potencial humano. DAMÁZIO &
FERREIRA (2010).
Assim, a educação
no AEE PS significa:
Preparar para a
individualidade e a coletividade, provocando um processo
comunicacional-dialogal-global, buscando a superação da imanência,
da imediaticidade e buscando a transcendência do social, do cultural
e do histórico-ideológico, com ruptura de fronteiras, e deflagrando
uma sociedade mais solidária, fraterna e humana, em que os saberes
não aprisionem o corpo e a mente ao poder, mas possam liberá-lo.
DAMÁZIO & FERREIRA (2010)
Neste
sentido, o AEE para a pessoa com surdez, deve construir e reconstruir
experiências e vivências que não serão pautadas numa visão
linear, hierarquizada e fragmentada, o ponto de partida será o
reconhecimento das capacidades e potenciais, tendo a
a consciência que, para a
construção de conhecimento o aluno deve agir sob os recursos de
ensino que o estimularão para sua ação, entendendo assim, que os
recursos utilizados pelo docente devem ser significativos para o
aluno.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
AUDIODESCRIÇÃO - CULTURA E USO PEDAGÓGICO
É importante também oportunizar as pessoas com deficiência condições de acesso a cultura, informação e lazer, adaptando conteúdos exibidos em cinemas, teatros e exposições. A cultura também faz com que a pessoa exerça sua cidadania e crie recursos para lutar por uma sociedade mais justa e igualitária.
Dessa forma escolhi uma exposição fotográfica audiodescrita que além de abrir espaço para que a pessoa com deficiência também possa consumir cultura pode ser usada pedagogicamente. Trata-se da exposição
de fotografias audiodescritas da MIDIACE que mostra a beleza dos
nossos vizinhos sulamericanos : Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia,
Argentina e Peru clicados pelas lentes do jornalista Zizo Asnis.
| Algumas fotos da Exposição |
A Exposição pode ser usada para uso pedagógico para falar da diversidade de povos, diferenças e semelhanças, culturas, idiomas. Pode abordar também as comidas de cada região, paisagens, sons, cores, clima, população, notícias e outros
temas ligados aos países.
Rodas de
histórias, sessões de leitura sobre os povos da América do sul podem ser oportunizadas.
Os materiais podem ser adaptados com letras ampliadas e contrastes. A audiodescrição ficará mais rica se associada a experiências táteis, com texturas, mapas, maquetes e outros recurso.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
JOGOS E ATIVIDADES PARA SALA DE RECURSOS
Pesquisando jogos e atividades que podem ser
usadas para favorecer a aprendizagem do aluno com deficiência, resolvi dividir
o material em três categorias: Os que podem ser confeccionados, os que podem ser
adquiridos com baixo custo e softwares educacionais gratuitos.
ATIVIDADE USANDO CORES
O primeiro passo é confeccionar cartões com
diversas cores . Essa é uma atividade simples, mas que a partir dela pode-se
desenvolver várias outras, para trabalhar individualmente ou em grupo.
Usado para trabalhar, memória, raciocínio lógico,
criatividade, discriminação visual, atenção, concentração, vocabulário e
interação social.
Podemos pedir para o aluno dizer o nome da
cor de cada cartão, fazer uma sequência de cores e pedir para que o aluno
reproduza a sequência, pedir para o aluno dizer onde podemos encontrar essa cor,
em roupas, objetos ou lugares e ainda podemos colocar a face da cor dos cartões
virada para baixo e trabalhar a memória.
Durante o jogo da memória pode-se discutir
estratégias para localizar as figuras no espaço, como a fixação de um ponto de
referência e a observação do entorno de um cartão.
JOGO DE INVERSÃO E ROTAÇÃO
O jogo é constituído de cartões que apresentam um modelo
de três figuras passíveis de rotação ou inversão. A criança recebe as mesmas
figuras desenhadas em círculos. Atrás de cada peça pode ser colado um ímã e o
jogo pode ser executado sobre uma pequena lousa confeccionada com latão.
Trabalha o raciocínio lógico, atenção, discriminação
visual, orientação e localização espaço temporal, pode ser trabalhado com alunos
que fazem inversão de letras, tais como “p” por “q” ou “b” por “d”ou para alunos
que fazem a rotação de letras como, por exemplo, “b” por “q” ou “d” por “p”. O
jogo pode apresentar uma grande variedade de figuras passíveis de inversão ou
rotação, tais como, um bule com o bico do lado esquerdo, um com o bico do lado
direito e um com o bico no centro. Também podem ser utilizadas figuras de
animais, como passarinho, galo, cachorro, sempre em três posições diferentes.
Fonte:
Adaptação e confecção: Eduardo José Manzini, Mônica
Gerdullo e Marilãine Bonaldo
Fonte: Laboratório de Educação Especial “Prof. Ernani
Vidon”, Unesp, Marília, SP.
JOGO DE CARTAS PINGO NO I
O “pingo no i é um baralho de letras
inteligente e divertido, que substitui os naipes e números por letras, com este
jogo podemos trabalhar atenção, lógica, linguagem, memória, raciocínio,
imaginação, criatividade bem como trabalhar regras, interação com o grupo e
enriquecer o vocabulário dos alunos. Trabalhar com alunos que estão iniciando a
aprendizagem da leitura e escrita e reconhecimento de letras.
Existem várias maneiras de utilizar o jogo, podemos
entregar um determinado número de cartas
e pedir para que o aluno forme as palavras que conseguir. Podemos também
entregar um número de cartas e pedir para o aluno formar palavras, descartando
as cartas que não interessam e pegando outras, até formar várias palavras.
Outras opção é ordenar as letras, entregar
letras aleatoriamente e pedir para que o aluno organize a palavra, ou até
entregar algumas letras que forme uma determinada palavra, dar uma dica de que
palavra se trata e ele descobrir do que estamos falando.
No final podemos também pedir para que o aluno lembre
as palavras que formou. O baralho é criativo, assim outras formas de jogar
podem ser pensadas de acordo com cada aluno.
Fonte e outras ideias para trabalhar o jogo:
UNO
O Uno se tornou um jogo popular, bastante
conhecido que todas crianças gostam de brincar, é um jogo que exige bastante
atenção dos jogadores, com valor acessível e muito educativo. Pode auxiliar no
desenvolvimento da interação, sequência, concentração; percepção das cores,
reconhecimento de números, raciocínio Lógico, reversibilidade de pensamento (através
das cartas de ação) e problemas matemáticos de somas simples, quando o jogador,
de acordo com as regras, precisa pegar mais cartas, e a subtração quando o
jogador descarta uma ou mais cartas.
O uno também pode ser usado na avaliação no
que diz respeito a dificuldade de percepção visual e socialização.
O jogo apresenta um folheto de regras, porém
as mesmas podem ser adaptadas de acordo com os alunos. É possível, por exemplo,
adaptar o jogo utilizando apenas as cartas coloridas e excluindo as cartas de
ação. A medida que o aluno vai evoluindo e entendendo a dinâmica básica é
possível acrescentar as cartas de ação e pensar em outras formas de jogar.
Fonte:
BRINQUEDOS POPULARES
Nos dias de hoje vemos muitos brinquedos tecnológicos,
mas os brinquedos populares podem ser ricos para trabalhar questões sensoriais e motoras,
são brinquedos conhecidos por todos e encontrados em feiras e mercados das
cidades do nordeste, podem ser usados para trabalhar coordenação motora fina, equilíbrio, atenção, memória, raciocínio,
além de serem brinquedos coloridos, com movimento, engraçados e que estimulam a
imaginação.
Com brinquedos populares podemos trabalhar em
duplas para fazer jogos de imitação, realizar desafio para controlar os
movimentos (descer a cabeça, deixar o “mané gostoso”, por exemplo, de cabeça pra baixo).
Podemos pedir ao aluno para imitar a postura pedida, usando comando verbal ou
imagem.
Podemos também, imprimir no papel modelos para
trabalhar posição no espaço e relação espacial, podemos usar para trabalhar a
imaginação através de criação de histórias.
Fontes:
http://jeffcelophane.wordpress.com/2011/10/09/o-brinquedo-artesanal-popular-brasileiro/
http://www.miniweb.com.br/artes/artigos/brinquedos_populares.html
BRINCANDO COM ARIÊ
1 e 2
O uso do computador na Sala de recursos
estimula o aluno a desenvolver habilidades cognitivas e intelectuais e a capacidade
de resolução de problemas. Alguns recursos são caros, porém existe
na internet diversos jogos educativos gratuitos para fazer download,
e um deles é Brincando com Ariê.
Existe a versão I e II, que podem ser
trabalhadas desde a educação infantil até os primeiros anos das séries
iniciais. Nele pode-se interagir com joguinhos de alfabetização, matemática,
jogos de colorir, associação de palavras a objetos, entre outros.
Os jogos trabalham a
percepção visual e auditiva, a coordenação motora, atenção, memorização, leitura, lógica, orientação temporal e
espacial, identificação de cores, frutas, noção de números e quantidade,
reconhecimento de letras e autonomia. Pode ser trabalhado em dupla, estimulando
o trabalho colaborativo e o professor de AEE pode mediar fazendo perguntas e
propondo desafios.
Ao sair do software pode-se continuar trabalhando, pedindo para o aluno lembrar das cores trabalhadas, figuras, palavras, descrever os jogos, cenários, desenhar os personagens ou mesmo criar histórias com os mesmos.
Onde baixar:
http://www.krafthaus.com.br/v3/
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